quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

FRAGILIDADE DOS VALORES




Todas as coisas" boas " foram noutro tempo más; todo o pecado original veio a ser virtude original. O casamento, por exemplo, era tido como um atentado contra a sociedade e pagava-se uma multa, por ter tido a imprudência de se apropriar de uma mulher (ainda hoje no Cambodja o sacerdote, guarda dos velhos costumes, conserva o jus primae noctis). Os sentimentos doces, benévolos, conciliadores, compassivos, mais tarde vieram a ser os «valores por excelência»; por muito tempo se atraiu o desprezo e se envergonhava cada qual da brandura, como agora da dureza. A submissão ao direito: oh! que revolução de consciência em todas as raças aristocráticas quando tiveram de renunciar à vingança para se submeterem ao direito! O «direito» foi por muito tempo um vetitum, uma inovação, um crime; foi instituído com violência e opróbio. Cada passo que o homem deu sobre a Terra custou-lhe muitos suplícios intelectuais e corporais; tudo passou adiante e atrasou todo o movimento, em troca teve inumeráveis mártires; por estranho que isto hoje nos pareça, já o demonstrei na Aurora, aforismo 18: «Nada custou mais caro do que esta migalha de razão e de liberdade, que hoje nos envaidece». Esta mesma vaidade nos impede de considerar os períodos imensos da «moralização dos costumes» que precederam a história capital e foram a verdadeira história, a história capital e decisiva que fixou o carácter da humanidade. Então a dor passava por virtude, a vingança por virtude, a renúncia da razão por virtude, e o bem-estar passivo por perigo, o desejo de saber por perigo, a paz por perigo, a misericórdia por opróbio, o trabalho por vergonha, a demência por coisa divina, a conversão por imoralidade e a corrupção por coisa excelente.


 Friedrich Nietzsche, in 'A Genealogia da Moral


É nesta época natalícia que os " valores por excelência " do ser humano mais se notam. Pena que desapareçam logo que  a última luzinha se apague nas ruas das nossas cidades


Emília Pinto

domingo, 26 de novembro de 2017

SUCESSO





Abominável coisa é o bom êxito, seja dito de passagem. A sua falsa parecença com o merecimento ilude os homens. Para o vulgo, o bom sucesso equivale à supremacia. A vítima dos logros do triunfo, desse menecma da habilidade, é a história. Só Tácito e Juvenal se lhe opõem. Existe na época e sente uma filosofia quase oficial, que envergou a libré do bom êxito e lhe faz o serviço da antecâmara. Fazei por serdes bem sucedido, é a teoria. Prosperidade supõe capacidade. Ganhai na lotaria, sereis um homem hábil. Quem triunfa é venerado. Nascei bem-fadado, não queirais mais nada. Tende fortuna, que o resto por si virá; sede feliz, julgar-vos-ão grande. Se pusermos de parte as cinco ou seis excepções imensas que fazem o esplendor de um século, a admiração contemporânea é apenas miopia. Duradora é ouro. Pouco importa que não sejais ninguém, contanto que consigais alguma coisa. O vulgo é um narciso velho, que se idolatra a si próprio e aplaude o vulgar. A faculdade sublime de ser Moisés, Esquilo, Dante, Miguel Ângelo ou Napoleão, decreta-a a multidão indistintamente e por unanimidade a quem atinge o alvo que se propôs, seja no que for. Que um tabelião se transforme em deputado; que um falso Corneille componha Tiridates; que um eununco chegue a possuir um harém; que um Prudhomme militar ganhe por casualidade a batalha decisiva de uma época; que um boticário invente solas de papelão para o exército de Samba e Mosa, e, vendendo-as por couro, consiga arranjar uma fortuna de quatrocentos mil francos de rendimento; que qualquer pobretão case com a usura e a faça parir sete ou oito milhões, de que ele é pai e ela mãe; que qualquer pregador arranje a ser bispo, à força de falar pelo nariz; que o mordomo de qualquer casa grande saia dela tão rico, que obtenha a pasta das Finanças, os homens chamam a isso Génio, do mesmo modo que chamam Beleza à cara de Mousqueton e Majestade à aparência de Cláudio. Confundem com as constelações do abismo as estrelas que os gansos imprimem com as patas na superfície mole do lodaçal.


 Victor Hugo, in 'Os Miseráveis'


O conceito de " ter sucesso " é relativo ; ele depende do que cada um pensa sobre esse assunto. Para mim, a ideia de  ser ou não bem sucedida é diferente do que para qualquer um de vós, não acham?


Emilia Pinto

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

EU, ETIQUETA!


imagem - net


Em minha calça está grudado um nome que não é meu
de batismo ou de cartório,
um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso,
abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda,
ainda que a moda seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser eu
que antes era e me sabia tão diverso de outros, tão mim mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro, em língua nacional ou em qualquer língua (qualquer, principalmente).
E nisto me comparo, tiro glória de minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago para anunciar
para vender em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta global
no corpo que desiste de ser veste e sandália de uma essência tão viva
independente, que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam
e cada gesto, cada olhar cada vinco da roupa
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrine me tiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim,
tão orgulhoso de ser não eu,
mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.


 Carlos Drummond de Andrade

"Já não me convém o título de homem...
Eu sou a coisa. coisamente"

Infelizmente, uma grande verdade, amigos!

Emília Pinto

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

SIMPLICIDADE





 Queria, queria
 Ter a singeleza
 Das vidas sem alma
 E a lúcida calma
 Da matéria presa.

 Queria, queria
 Ser igual ao peixe
 Que livre nas águas
 Se mexe;

 Ser igual em som,
 Ser igual em graça
 Ao pássaro leve
 Que esvoaça...
Tudo isso eu queria!
 (Ser fraco é ser forte).
 Queria viver
 E depois morrer
 Sem nunca aprender A gostar da morte.


 Pedro Homem de Mello, in "Estrela Morta"



Conheço Pedro Homem de Mello, mas, confesso, desconheço por completo a sua obra. Gostei muito deste poema, embora sejam  belos todos os outros que encontrei na minha pesquisa. Foi difícil a escolha! Espero que gostem!

 
Quem Foi?


 De raízes minhotas, era filho de António Homem de Melo de Macedo e de sua mulher, Maria do Pilar da Cunha Pimentel Homem de Vasconcelos, além de sobrinho de Manuel Homem de Melo da Câmara, 1.º Conde de Águeda. O seu pai pertenceu ao círculo íntimo do poeta António Nobre.
 Criado numa família que lhe incutiu ideais monárquicos, católicos e conservadores, as raízes do seu lirismo bem português mergulham na própria vivência íntima e na profunda sintonia com o povo, cuja alma se lhe abria através do folclore, tendo por cenário a paisagem do Minho.

 Iniciou o curso de Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, acabando por se licenciar na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em 1926. Tendo iniciado a sua carreira como advogado,optou posteriormente por se dedicar ao ensino do Português em escolas técnicas do Porto (Mouzinho da Silveira e Infante D. Henrique), tendo sido diretor da Mouzinho da Silveira


Nasceu no Porto em 6 de Setembro de 1904 e faleceu a 5 de Março de 1984




Emilia Pinto

sábado, 21 de outubro de 2017

VIVEMOS ?





Espero que gostem, amigos!


Emilia Pinto

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

DOMINGO À NOITE



Gostei da expressão ÓCIO CRIATIVO


EmIlia Pinto

domingo, 24 de setembro de 2017

EXCLUSÃO SOCIAL





Um problema muito sério que toca a todos. Façamos a nossa parte para que alguma coisa mude, pelo menos à nossa volta.


Emilia Pinto

terça-feira, 12 de setembro de 2017

A LINGUAGEM...



....e o Povo

Esta nossa língua portuguesa está a reclamar os seus panegiristas, galhardos paladinos que a defendam e enalteçam, de tal maneira deve andar envergonhada do desprezo com que tantos a maltratam, e bem saudosa do vivo amor que tantos lhe sagraram. O autor da «Côrte na Aldeia» já clamava com mágoa, quando tecia encómios à sua amada língua: «Para que diga tudo, só um mal tem, e é que, pelo pouco que lhe querem seus naturais, a trazem mais remendada que capa de pedintes.» Que faria se ele a visse agora!
É preciso que defendamos a sua pureza e a sua beleza! Não é isto certamente aplaudir «puristas», que a queiram converter em língua morta, nem certos humanistas que jamais compreenderam a vida das palavras, os seus estádios, a sua evolução latente - toda uma biologia, enfim, como a de outros seres organizados. O que é indispensável é proteger os seus foros e o seu carácter, neste idioma tão dócil que não há estado de alma que não revele, língua tão rica de perspectiva e de sonho, profunda e esbelta, apurada ou enérgica, ave a gorjear nas toadilhas pastorais, ou reboante e magnífica no clangor da epopeia. A língua brota dos sulcos fecundos da terra, para o artista e o poeta a modelarem, insuflando-lhe depois a emoção e a graça. Assim a voz da cotovia matinal que, alando-se da gleba, se dilui no vasto azul dos céus em melodia e sonho... Bulhão Pato dizia-me que conversava muito com malteses para dar sal à língua. E não há, na verdade, melhor sal que o do povo. É ver, por exemplo, no teatro de Gil Vicente como ele lha tempera e lha faz saborosa!

 Fonte In "Paladinos da Linguagem", 3.º vol.

 Júlio de Sousa Brandão

QUEM FOI?


Escritor português nascido em V. N. de Famalicão a 9 de Agosto de 1869 . Faleceu no Porto a 9 de Abril de 1947
Em 1874, a sua família mudou-se para o Porto onde viveria o resto da vida. Arqueólogo, foi também professor na Escola Infante D. Henrique, director do Museu Municipal do Porto e sócio da Academia Nacional de Belas Artes. Enquanto escritor deixou uma vasta obra como poeta, ficcionista e publicista, marcada pela simplicidade e imaginação. Colaborou no semanário Branco e Negro [1] (1896-1898) e em diversas revistas portuenses, com destaque para A Águia; também se conhece colaboração da sua autoria nas revistas Arte e vida [2] (1904-1906) e Serões[3] (1901-1911), e ainda nas revistas luso-brasileiras Brasil-Portugal[4] (1899-1914) e Atlantida[5] (1915-1920). Entre 1929 e 1933, dirigiu a revista Soneto Neo-Latino, de Vila Nova de Famalicão. Fez parte do grupo dos nefelibatas e participou na corrente simbolista


inWikipédia


No post anterior falei de um escritos de Vila do Conde, hoje homenageio um da minha terra, de Vila Nova de Famalicão onde existe uma escola com o seu nome, Júlio Brandão


Emília Pinto

terça-feira, 5 de setembro de 2017

SABEDORIA






Desde que tudo me cansa,
Comecei eu a viver.
Comecei a viver sem esperança...
E venha a morte quando
Deus quiser.

Dantes, ou muito ou pouco,
Sempre esperara
Às vezes, tanto, que o meu sonho louco
Voava das estrelas à mais rara;
Outras, tão pouco
Que ninguém mais com tal se conformara

.
Hoje, é que nada espero
.
Para quê, esperar?
Sei que já nada é meu senão se o não tiver;
Se quero, é só enquanto apenas quero;
Só de longe, e secreto, é que inda posso amar. . .
E venha a morte quando
Deus quiser.

Mas, com isto, que têm as estrelas?
Continuam brilhando, altas e belas


José Régio, in 'Poemas de Deus e do Diabo'

Quem foi José Régio?

Foi em Vila do Conde nasceu, filho do ourives José Maria Pereira Sobrinho e de Maria da Conceição Reis Pereira, e aí viveu até acabar o quinto ano do liceu. Ainda jovem publicou os seus primeiros poemas nos jornais vilacondenses A República e O Democrático, dirigidos por seu tio e padrinho António Maria Pereira Júnior. Depois de uma breve e infeliz passagem por um internato do Porto (que serviu de matéria romanesca para Uma gota de sangue), aos dezoito anos foi para Coimbra, onde se licenciou em Filologia Românica em 1925 com a tese As correntes e as individualidades na moderna poesia portuguesa. Esta tese na época passou um pouco ignorada, uma vez que valorizava poetas quase desconhecidos na altura, como Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro; mas, em 1941, foi ampliada e publicada com o título Pequena história da moderna poesia portuguesa. Morreu em  Dezembro de 1969.

Já há muito não lia nada deste nosso escritor que nasceu e morreu numa cidade piscatória aqui do
norte, bem pertinho do lugar onde moro. Gostei muito deste poema onde ele mostra grande  SABEDORIA

Emilia Pinto

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

RECORDANDO...






O Homem Materializou-se e Corrompeu-se.
Que tem feito a sociedade há três séculos a favor da parte moral do homem?
Nada, querer iluminar o homem, tirar-lhe ilusões. E tiradas essas ilusões, que sucedeu?
O homem materializou-se, e a sociedade corrompeu-se.
Vejamos que progressos materiais obtivemos nesses três séculos:
obtivemos as aplicações do vapor, a química fêz passos de gigante, as ciências naturais chegaram quási à perfeição,
os resultados científicos e artísticos simplificaram-se, inventou-se o galvanismo, o telégrafo eléctrico, a fotografia, desapareceram as distâncias, o comércio reina dominador sôbre todos, somos engolfados em prosperidade material, e ao mesmo tempo somos muito infelizes.


 Dom Pedro V, in 'Escritos de El-Rei D.Pedro V


' Pedro V , apelidado de "o Esperançoso" e "o Muito Amado", foi o Rei de Portugal e Algarves de 1853 até sua morte. Era o filho mais velho da rainha Maria II e seu marido o rei Fernando II. Ele ascendeu ao trono com apenas dezesseis anos de idade após a morte de sua mãe, com seu pai atuando como regente do reino até sua maioridade em 1855. Embora muito jovem aquando a sua ascensão ao trono português, com apenas 16 anos, foi considerado por muitos como um monarca exemplar, que reconciliou o povo com a casa real, após o reinado da sua mãe ter sido fruto de uma guerra civil vencida. D. Fernando II, seu pai, desempenhou um papel fundamental no início do seu reinado, tendo exercido o governo da nação na qualidade de regente do reino, orientando o jovem rei no que diz respeito às grandes obras públicas efectuadas. Pedro V é frequentemente descrito como um monarca com valores sociais bem presentes, em parte devida à sua educação, que incluiu trabalho junto das comunidades e um vasto conhecimento do continente europeu. Dedicou-se com afinco ao governo do país, estudando com minúcia as deliberações governamentais propostas. Criou ainda o Curso Superior de Letras, em 1859, que subsidiou do seu bolso, com um donativo de 91 contos de réis. Nesse mesmo ano é introduzido o sistema métrico em Portugal. Pedro V foi um defensor acérrimo da abolição da escravatura e data do seu reinado um episódio que atesta a convicção do monarca nessa matéria e que simultaneamente demonstra a fragilidade de Portugal perante as grandes potências europeias: junto à costa de Moçambique é apresado um navio negreiro francês, tendo o seu comandante sido preso. O governo de França não só exigiu a libertação do navio, bem como uma avultada indemnização ao governo português


 Li este texto escrito por D. Pedro V que achei muito interessante. Como os meus dez anos, altura em que aprendi sobre os reis de Portugal já lá vão há muitos, muitos,  muitos....muitos... anos,  resolvi recordar este nosso monarca. Gostei e, quando gosto, partilho com os amigos. 

Recordemos então !!!

Emilia Pinto


terça-feira, 8 de agosto de 2017

TERRA






António, é preciso partir!
O moleiro não fia, a terra é estéril, a arca vazia, o gado minga e se fina!
António é preciso partir!
A enxada sem uso, o arado enferruja, o menino quer o pão; a tua casa é fria!
É preciso emigrar!
O vento anda como doido – levará o azeite; a chuva desaba noite e dia – inundará tudo; e o lar vazio, o gado definhando sem pasto, a morte e o frio por todo o lado, só a morte, a fome e o frio por todo o lado,
António! É preciso embarcar! Badalão! Badalão! – o sino já entoa a despedida.
Os juros crescem; o dinheiro e o rico não têm coração.
E as décimas, António? Ninguém perdoa – que mais para vender?
Foi-se o cordão, foram-se os brincos, foi-se tudo!
A fome espia o teu lar. Para quê lutar com a secura da terra, com a indiferença do céu, com tudo, com a morte, com a fome, coma a terra, com tudo!
Árida, árida a vida! António, é preciso partir!
António partiu. E em casa, ficou tudo medonho, desamparado, vazio


 Fernando Namora, in 'Terra'


Confesso que não conhecia este poema de Fernando Namora. Quando o li, resolvi publicá-lo, porque estamos em Agosto, mês em que os " Antónios " do nosso Portugal voltam à sua terra para reverem tudo o que um dia foram obrigados a deixar. " Árida era a terra e árida era a vida deles, por isso "emigraram ...partiram."


Emília Pinto

quarta-feira, 12 de julho de 2017

FÉRIAS




Autor desconhecido


Queridos amigos, o Começar de Novo fará uma pausa para férias, mas continuarei a visitar os vossos cantinhos sempre que puder.  Com este lindo vídeo, deixo-vos um beijinho e os votos de que tenham boas férias.
A minha ausência será curta!!!

Espero que gostem!

Emilia Pinto

segunda-feira, 3 de julho de 2017

RAZÕES






Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.

Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito

Não me peçam razões, ou que as desculpe
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir


 José Saramago, in "Os Poemas Possíveis



São tantas as perguntas que fazemos, mas....não conseguimos encontrar as respostas.

Emília Pinto

terça-feira, 13 de junho de 2017

MINHA FAMÍLIA ....




 ...é a Minha Casa

A solidão absoluta é não ter ninguém a quem dizer um simples: “tenho vontade de chorar”. Não precisamos de muito para viver bem – para ser feliz basta uma família e pouco mais.
A família é a casa e a paz. O refúgio onde uma vontade de chorar não é motivo de julgamento, apenas e só uma necessidade súbita de... família. De um equilíbrio para o qual o outro é essencial... assim também se passa com a vontade de sorrir que, em família, se contagia apenas pelo olhar.

Nos dias de hoje vai sendo cada vez mais difícil encontrar gente capaz de ser família. Os egoísmos abundam e cultiva-se, sozinho, o individual. Como se não houvesse espaço para o amor. Dizem que amar é arriscado, que é coisa de loucos...

Todos temos sentimentos mais profundos. Cada um de nós é uma unidade, mas o que somos passa por sermos mais do que um. Parte de unidades maiores. Estamos com quem amamos e quem amamos também está, de alguma forma, connosco. O amor é o que existe entre nós e nos enlaça os sentimentos mais profundos. Onde uma vontade de chorar é um sinal de que há algo em mim que é maior do que eu... por vezes, nem preciso de chorar.... apenas a vontade me indica o caminho da humildade e do amor. Sozinho não consigo chegar a ser eu

Uma verdadeira família é simples. É o lugar onde todos amam e protegem a intimidade de cada um. Ninguém é de uma família à qual não se entrega. Mas não é fácil, nunca. É preciso ser forte o suficiente para dizer não a um conjunto enorme de coisas que parecem muito valiosas, mas que não passam de ocas aparências de valor.

Há muita gente que gosta de complicar para fugir ao que é simples. Para que me serve um palácio se nele a minha solidão se faz ainda maior? Quantos desistem de lutar pelo amor com a desculpa de que o preço é alto e o prémio pode afinal não valer o esforço? Quantas vezes a falta de amor é vista como paz?
A família é algo simples – puro – mas muitíssimo difícil de alcançar. Implica a renúncia constante aos artifícios do fácil e do imediato. Exige que nos concentremos num caminho longo que acreditamos (sem grandes provas) que é o único que nos pode elevar e levar ao céu.

Numa família há afeto e exemplo, há limites e respeito, há quem nos aceite como somos sem deixar de nos animar a sermos melhores, sem excessos mas com a paciência de quem ama.

A paz resulta de um equilíbrio de elementos diferentes, com talentos e perspetivas distintos. Não através de um esforço de anulação do que é único de cada um, mas precisamente pela riqueza de o orientar rumo a um fim conjunto e harmonioso. Uma espécie de enriquecimento recíproco dos contrários. Promover o bem do outro não é fazer com que se torne semelhante a mim. 

A minha casa é o lugar onde eu sou o outro a quem alguém pode expressar o seu “tenho vontade de chorar” sem que eu trace juízos de qualquer espécie, e que lhe faça sentir com o meu silêncio, dedicação e presença que a sua vontade já não é só sua... mas minha também

A minha família é a minha casa. Até podemos ser apenas dois... mas é aí, e só aí, que posso ser feliz. Longe de casa estou sempre a caminho. O meu coração não descansa senão nos braços de quem tem vontade de sorrir e de chorar comigo.

José Luís Nunes Martins, in 'Amor, Silêncios e Tempestades

Falei de paz, através do bonito poema de Natália Correia e  agora resolvi abordar o tema  "família "  pois é aqui, no seio familiar, que a paz deve começar, onde a paz deve ser ensinada, trabalhada, conseguida.
Gostei muito deste texto e espero que também vos agrade.

Emilia Pinto


quinta-feira, 1 de junho de 2017

ODE À PAZ



Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,

Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa passar a Vida!

Natália Correia,  in "Inéditos (1985/1990



Natália de Oliveira Correia -  (Fajã de Baixo São Miguel, 13 de Setembro de 1923 — Lisboa, 16 de Março de 1993- foi uma escritora e poeta portuguesa. Deputada à Assembleia da República (1980-1991), interveio politicamente ao nível da cultura e do património, na defesa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres. Autora da letra do Hino dos Açores. Juntamente com José Saramago (Prémio Nobel de Literatura, 1998), Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues foi, em 1992, um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC). Tem uma biblioteca com o seu nome em Lisboa em Carnide

A obra de Natália Correia estende-se por géneros variados, desde a poesia ao romance, teatro e ensaio. Colaborou com frequência em diversas publicações portuguesas e estrangeiras,


Será que algum dia teremos PAZ?

Emília Pinto

quarta-feira, 17 de maio de 2017

INFÂNCIA COM ÂNSIA





" O mais importante na vida de uma criança é ter com quem brincar", diz especialista

É típico da criança desejar, sonhar, criar, fantasiar, mas características dos tempos atuais parecem estar colocando em risco essas habilidades. Se em outras épocas as crianças já foram mais reprimidas e pouco ouvidas, hoje, em muitas famílias, a educação dos filhos parece mirar o outro extremo: excessivamente atendidas em suas vontades, imersas em uma agenda repleta de compromissos e cercadas por uma abundância de objetos que nem conseguem dar conta de retirar das caixas e aproveitar, meninos e meninas, alertam especialistas, podem estar se tornando melancólicos. Comumente interpretada como tristeza, a melancolia é mais do que isso. Trata-se de um estado de indiferença, desinteresse, suspensão do desejo. Aos olhos desses pequenos, tudo se equivale, nada tem graça ou parece valer o investimento. São crianças que não toleram a falta e se frustram com facilidade. Conduzidas de um lado a outro sem ter um momento para exercitar a criatividade e pensar no que gostariam de fazer, elas são tomadas por apatia. Some-se a isso o esforço dos pais em poupar os filhos das perdas e dos aborrecimentos inerentes à esfera familiar e ao mundo que os cerca, inventando justificativas para mascarar a verdade ou blindando-os contra as cenas mais amargas – a morte de um animal de estimação, a separação do casal, a mudança de bairro ou escola por conta dos altos custos, a visão do pedinte maltrapilho na sinaleira. O resultado é que as crianças acabam por habitar um mundo irreal, estéril, pobre em experiências e sensações, onde não é possível testar as ferramentas psíquicas fundamentais para que possam amadurecer e enfrentar os reveses da existência

.
" Em vez de representar a falta e elaborar a dimensão da perda, quando entramos com a criança na via de restituição do objeto, ou na via de esquivar o acontecimento doloroso, nós a empurramos para uma situação muito pior, porque não compartilhamos com ela os recursos que permitem elaborar as perdas e as faltas, e isso cria uma fragilidade psíquica muito maior."

Julieta Jerusalinsky

in ZH Vida

Toda a criança no seu crescimento anseia ser " mamã ou papá, médico, professor, bombeiro... e nesse percurso vai imaginando e criando esse personagem ; nas sociedades de hoje, não lhes damos essa oportunidade e então surge o desinteresse, a apatia, o " tanto faz "
Não vou alongar-me mais sobre este tema, pois gostaria de vos convidar a assistirem a um debate muito interessante sobre a melancolia. Tornar-se-ia cansativo o vídeo aqui, pois é longo e assim, vendo-o no youtube, poderão assistir com calma e quando puderem. YOUTUBE -   CAFÉ FILOSÓFICO - MELANCOLIA NA INFÂNCIA.

Espero que gostem, amigos!

Emilia Pinto

terça-feira, 9 de maio de 2017

TREM BALA




Não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si
É sobre saber que em algum lugar Alguém zela por ti
É sobre cantar e poder escutar mais do que a própria voz
É sobre dançar na chuva de vida que cai sobre nós
É saber se sentir infinito num universo tão vasto e bonito
É saber sonhar e, então, fazer valer a pena cada verso daquele poema sobre acreditar
Não é sobre chegar no topo do mundo e  saber que venceu
É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu
É sobre ser abrigo e também ter morada em outros corações
E assim ter amigos contigo em todas as situações
A gente não pode ter tudo Qual seria a graça do mundo se fosse assim?
Por isso, eu prefiro sorrisos e os presentes que a vida trouxe pra perto de mim
Não é sobre tudo que o seu dinheiro é capaz de comprar
E sim sobre cada momento sorriso a se compartilhar
Também não é sobre correr contra o tempo pra ter sempre mais
Porque quando menos se espera a vida já ficou pra trás
Segura teu filho no colo sorria e abrace teus pais enquanto estão aqui
Que a vida é trem-bala, parceiro e a gente é só passageiro prestes a partir


E os AMIGOS que tenho são muitos, amigos generosos que me acarinham, mesmo nas longas ausências. Para vos agradecer, escolhi esta música que me diz para sorrir, abraçar, aproveitar cada momento, pois a vida é " trem bala e a gente é só passageiro prestes a partir "

Um abraço a todos

Emília



segunda-feira, 6 de março de 2017

COM UM ABRAÇO VOS DIGO....

Despedida

Três modos de despedida
Tem o meu bem para mim:
- «Até logo»; «até à vista»:
Ou «adeus» – É sempre assim.

«Adeus», é lindo, mas triste;
«Adeus» … A Deus entregamos
Nossos destinos: partimos,
Mal sabendo se voltamos.

«Até logo», é já mais doce;
Tem distancia e ausência, é certo;
Mas não é nem ano e dia,
Nem tão-pouco algum deserto.

Vale mais «até à vista»,
Do que «até logo» ou «adeus»;
«À vista», lembra, voltando,
Meus olhos fitos nos teus.

Três modos de despedida
Tem, assim, o meu Amor;
Antes não tivesse tantos!
Nem um só… Fora melhor.

António Correia de Oliveira, in 'Antologia Poética'
 
 
Escolhi este poema para me despedir de todos vós, não com um adeus, mas com um ATÉ LOGO. Estarei ausente por algum tempo, mas, sempre que possível, visitar-vos-ei.
Entretanto, deixo-vos um grande abraço e a certeza da minha sincera amizade. Obrigada!
 
Emilia Pinto 




 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

REFLEXÃO








 Gostaria de dedicar este post aos meus filhos, netinhos e a todos os jovens que estão a começar a sua vida. E por que não a todos nós? Afinal, a cada amanhecer temos um começar de novo e, com esse começo, uma nova oportunidade. de vermos a vida com outro olhar. Espero que gostem!

 Emilia Pinto

sábado, 11 de fevereiro de 2017

ANIVERSÁRIO



Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envelhecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece

Viicius de Moraes

Queridos amigos, hoje o começar de Novo faz oito anos: para lembrar a data, escolhi este soneto de Vinicius que, espero, vos agrade. Para mim, criar este cantinho foi uma AVENTURA  que dia a dia, se foi transformando numa maravilhosa VENTURA. Não é ao Começar de Novo que dou os parabéns, mas, sim, a todos os Grandes Amigos que tenho conquistado ao longo destes anos, amigos  que me têm acarinhado com as suas visitas, os seus comentários sinceros e sempre assertivos, com palavras carinhosas que me têm incentivado a prosseguir este caminho " plano " e muito compensador. Para vós são os PARABÉNS, vossa é a FESTA, vossas são também estas OITO VELAS; meu é o GRANDE ABRAÇO que aqui vos deixo, muito agradecida pelo tanto que têm dado a este COMEÇAR DE NOVO. Ele também é vosso e com o apoio e amizade de todos vós com certeza continuará o seu caminho. MUITO OBRIGADA!

Emilia Pinto 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

HUMILDADE



 Nascido em Londrina, interior do Paraná, na juventude (1973 a 1975) experimentou a vida monástica em um convento da Ordem Carmelitana Descalça, mas abandonou a perspectiva de ser monge para seguir a carreira acadêmica. Concluiu sua graduação em 1975 na Faculdade de Filosofia Nossa Senhora Medianeira. Em 1989 concluiu seu mestrado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), sob a orientação do Prof. Dr. Moacir Gadotti, e em 1997, sob a orientação do Prof. Dr. Paulo Freire, conclui seu doutorado também em Educação pela PUC-SP. É professor titular do Departamento de Teologia e Ciências da Religião e de pós-graduação em Educação da PUC-SP, na qual está de 1977 a 2012, além de professor-convidado da Fundação Dom Cabral, desde 1997, e foi no GVPec da Fundação Getúlio Vargas, entre 1998 e 2010. Ocupou o cargo de Secretário Municipal de Educação de São Paulo (1991-1992), durante a administração de Luiza Erundina, e foi membro-conselheiro do Conselho Técnico Científico da Educação Básica da CAPES/MEC (2008/2010). Fez o programa "Diálogos Impertinentes" na TV PUC, no Canal Universitário


Espero que gostem!

Emilia Pinto

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

CRIACIONISMO

A triste geração que tudo idealiza e nada realiza

Futuro comprometido?
Demorei sete anos (desde que saí da casa dos meus pais) para ler o saquinho do arroz que diz quanto tempo ele deve ficar na panela. Comi muito arroz duro fingindo estar “al dente”, muito arroz empapado dizendo que “foi de propósito”. Na minha panela esteve por todos esses anos a prova de que somos uma geração que compartilha sem ler, defende sem conhecer, idolatra sem saber porquê. Sou da geração que sabe o que fazer, mas erra por preguiça de ler o manual de instruções ou simplesmente não faz. Sabemos como tornar o mundo mais justo, o planeta mais sustentável, as mulheres mais representativas, o corpo mais saudável. Fazemos cada vez menos política na vida (e mais no Facebook), lotamos a internet de selfies em academias e esquecemos de comentar que na última festa todos os nossos amigos tomaram bala para curtir mais a noite. Ao contrário do que defendemos compartilhando o post da cerveja artesanal do momento, bebemos mais e bebemos pior.
Entendemos que as BICICLETAS podem salvar o mundo da poluição e a nossa rotina do estresse. Mas vamos de carro ao trabalho porque sua, porque chove, porque sim. Vemos todos os vídeos que mostram que os fast-foods acabam com a nossa saúde – dizem até que têm minhoca na receita de uns. E mesmo assim lotamos as filas do drive-thru porque temos preguiça de ir até a esquina comprar pão. Somos a geração que tem preguiça até de tirar a margarina da geladeira.
Preferimos escrever no computador, mesmo com a letra que lembra a velha Olivetti, porque aqui é fácil de apagar. Somos uma geração que erra sem medo porque conta com a tecla apagar, com o botão excluir. Postar é tão fácil (e apagar também) que opinamos sobre tudo sem o peso de gastar papel, borracha, tinta ou credibilidade.
Somos aqueles que acham que empreender é simples, que todo mundo pode viver do que ama fazer. Acreditamos que o sucesso é fruto das ideias, não do suor. Somos craques em planejamento Canvas e medíocres em perder uma noite de sono trabalhando para realizar.
Acreditamos piamente na co-criação, no crowdfunding e no CouchSurfing. Sabemos que existe gente bem intencionada querendo nos ajudar a crescer no mundo todo, mas ignoramos os conselhos dos nossos pais, fechamos a janela do carro na cara do mendigo e nunca oferecemos o nosso sofá que compramos pela internet para os filhos dos nossos amigos pularem.
Nos dedicamos a escrever declarações de amor públicas para amigos no seu aniversário que nem lembraríamos não fosse o aviso da rede social. Não nos ligamos mais, não nos vemos mais, não nos abraçamos mais. Não conhecemos mais a casa um do outro, o colo um do outro, temos vergonha de chorar.

Somos a geração que se mostra feliz no istagram e soma pageviews em sites sobre as frustrações e expectativas de não saber lidar com o tempo, de não ter certeza sobre nada. Somos aqueles que escondem os aplicativos de meditação numa pasta do celular porque o chefe quer mesmo é saber de produtividade.
Sou de uma geração cheia de ideais e de ideias que vai deixar para o mundo o plano perfeito de como ele deve funcionar. Mas não vai ter feito muita coisa porque estava com fome e não sabia como fazer arroz.

(Marina Melz, revista Pazes)
 BLOG do jornalista e mestre em teologia MICHELSON BORGES dedicado à análise de assuntos ligados à controvérsia entre o criacionismo e o evolucionismo

Dá que pensar este texto, amigos! Espero que gostem!
Emilia Pinto

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

PESSOA....


.....Religiosamente Iluminada



Em vez de perguntar o que é a religião, prefiro perguntar o que caracteriza as aspirações de uma pessoa que me dá a impressão de ser religiosa: uma pessoa que é religiosamente iluminada parece-me alguém que, utilizando as suas melhores capacidades, se libertou das grilhetas dos seus desejos egoístas e está preocupado com pensamentos, sentimentos e aspirações a que se agarra devido ao seu estreito valor superpessoal . Parece-me que o que é importante é a força deste conteúdo superpessoal e a profundidade da convicção relativa ao seu significado esmagador, independentemente de se fazer alguma tentativa para reunir este conteúdo com um ser divino, pois de outro modo não seria possível considerar Buda e Spinoza personalidades religiosas. De igual modo, uma pessoa religiosa é devota no sentido de que não tem quaisquer dúvidas sobre o significado e o carácter desses objectos e fins superpessoais, que não necessitam nem garantem uma fundamentação racional (...) A ciência só pode ser criada por aqueles que estão profundamente imbuídos de uma aspiração de verdade e compreensão. Todavia, a origem deste sentimento nasce na esfera da religião. A esta esfera pertence também a fé na possibilidade de as regulações válidas para o mundo real serem racionais, isto é, compreensíveis pela razão. Não sou capaz de imaginar um cientista genuíno sem essa fé profunda.


 Albert Einstein, in 'Conferência (1940)'


 Uma vez alguém me disse: "A fé em Deus sem acções, não vale nada. "
Abraços, mãos amigas, palavras de carinho e laços de afeto, principalmente para os que mais precisam, sem qualquer tipo de preconceito, são sinais de grande religiosidade, não acham? E custam tão pouco!!!


Emilia Pinto